Mais do que um Oscar “Que Horas Ela Volta?” merece reconhecimento

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A história da simpática Val traz em seu enredo críticas sociais que exigem reflexão.

que horas ela volta

No segundo semestre de 2015 começam a chegar notícias de um filme brasileiro fazendo sucesso em grandes festivais internacionais, estrelado por Regina Casé e dirigido por Anna Muylaert. Mesmo com toda a repercussão positiva da crítica o filme sofreu para entrar nas salas de cinema do Brasil, por não ser o tipo de filme que comumente atrai público, leia-se comédias nacionais e blockbusters internacionais. Mais do que um filme estrelado pela popularesca apresentadora de um dominical da Rede Globo, QHEV traz um monte de lições que precisam ser aprendidas pelos brasileiros.

Conhecemos logo de cara Val, uma nordestina que trabalha em São Paulo como empregada doméstica em tempo integral, inclusive dormindo no serviço. Acostumada com a vida de servir os patrões, ela tem sua vida mudada quando sua filha vem para a cidade para estudar e prestar vestibular. Só nesse pequeno trecho já extraímos da história do Brasil a imigração nordestina para São Paulo em busca de trabalho e entramos na recente ascensão da Classe C. O roteiro começou a ser escrito há 3 anos, isso significa que estávamos no auge da ascensão da nova classe C e isso estava sendo representado na dramaturgia. No roteiro do filme essa ascensão é citada pela patroa e é reforçada pela ideia de mundo da personagem Jéssica, em busca de novas oportunidades, ela se dedica para entrar em uma importante universidade da capital e consegue, enquanto o jovem mais favorecido economicamente acaba não conseguindo. Há ainda críticas a urbanização excessiva.

Seguindo agora para um lado mais crítico-emocional o filme trata de assuntos delicados, como essa mãe protagonista que deixou a filha no nordeste para tentar melhorar de vida em São Paulo, mas acabou esquecendo da importância afetiva de se estar junto. Mostra também o filho da patroa recebendo mais afeto da empregada do que da própria mãe, preferindo inclusive a presença dela. Há ainda o fato da Jéssica ter um filho enquanto adolescente e não ter contado pra mãe, e ao vir pra São Paulo repete o que a mãe fez a ela, deixando o filho.

O filme vai se revelando aos poucos, mostrando a casa aos poucos, construindo os personagens e mostrando suas motivações sem pressa, vai envolvendo o espectador para entregar uma história maior, trabalha muito com sutilezas.

Que horas ela volta jessica

Sutilezas que nos levam a se apaixonar pela protagonista Val, seja pela cena com a bandeja e as xícaras, seja pela cena da piscina (momento de libertação), pelas interações com a cadela Meg, por ajudar a encobrir os erros do Fabinho, ou pela cena mais divertida que a da célebre frase: “você finge que tá podando que eu finjo que tô aguando”. Regina Casé faz um trabalho esplendoroso, resgatando seu melhor lado atriz, obrigando aqueles que criticam o programa apresentado por ela por ser extremamente popular a aceitarem o seu talento.

Retomando o título do texto “Mais do que um Oscar Que Horas Ela Volta? merece reconhecimento”, o filme era o representante brasileiro na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro mas acabou ficando de fora da lista final, mas o mais importante é a mensagem que o filme tem a passar a todos os brasileiros, há muita informação ali, muita coisa que ainda precisa ser discutida e tabus a serem quebrados. Seja pelo lado político, seja pelo lado emocional Que Horas Ela Volta? tem muito a dizer pra você, pare, assista, reflita.

 Que-Horas-Ela-Volta-Poster

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